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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Mão Benditas

Mãos de neve, delicadas e macias
Mãos que aos pares, sempre unidas estão
Mãos que se postam unidas em oração
Mãos vaporosas que acariciam

Afeitas ao trabalho - mãos calosas
Mãos generosas que as dores aliviam
Mãos que ardentes, amando deliciam
Mãos que recriam - mãos laboriosas


Mãos operosas, que lavram, que semeiam
Mãos que amenizam a desgraça alheia
Mãos que contritas pedem perdão

Mãos que no pranto, seu irmão consola
Com abençoada dádiva dá esmola
Benditas mãos que oferecem o pão

José de Castro

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A teoria


Do que adianta as palavras
Se estiverem mortas e guardadas nos livros?
Do que adiantam as frases
Se só são encontradas nas bocas e não nas mãos?

Do que me adianta gastar sonhos em papel e caneta
Se para alguns, eles não passarão da noite passada?
'Tudo realmente não passou de um sonho', dirão

Leitores acordam após horas revirando páginas
Não esquecem os textos
Mas permanecem nas placas que dizia sobre o que ser feito

Enquanto pessoas lamentam suas ausências
Eles dormem mortos sobre letras vivas
Matam pela letra, morrem por ela
Mas não vivem por ninguém

Tristeza é ver teorias e idéias ocupando lugar de ações
E a culpa não são delas, idéias não têm culpa
E teorias não são pessoas

domingo, 7 de novembro de 2010

As cores do tempo

Percebo o tempo farejando as cores
de um já vencido e desbotado instante
Tingidas horas (reluzente tinta)
preserva apenas um azul distante

Pelas arestas espirais dos tons
embaça o risco do momento diante
frágil moldura irregular do tempo
descolorido feito sombra errante

Riscam as cores novo instante súbito
(um branco espaço a revolver o caos)
traçando o tempo - qual íris perfeito

Agora a tinta condensando as cores
consagra breve, colorido intenso
marcas de um tempo que se fez refeito

Majela Colares

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Poesia para um Sanguineo

Você é a alma que grita
Que esperneia
Que não se conforma

É a pele que fica vermelha
As cordas que se rompem
A medida que se eleva

Você é essa explosão das coisas
A expressão rude e sincera
De alguém que entende o que é fracasso
E que, sem saber, carrega no choro
O desespero de toda a humanidade

Continue assim meu bem,
Porque nessa multidão, você é único
Mas nesse caminho não é o primeiro

Continue assim,
Porque gosto de ouvir a sua voz
Aumentando na hora do refrão
Enquanto estou na cozinha
Lavando meus pratos sujos

Continue assim,
Porque nem eu, nem Deus
Temos medo de homens que não deram certo na vida
Ou que ficam tristes quando não conseguem

Estamos só esperando você
Desligar a chave geral dessa vida sem motivo
Para, sem a energia deste mundo
Começarmos a cantar as canções da vida