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sexta-feira, 9 de março de 2012

O Limbo – Uma Tese Contra o Namoro, a Favor do Casamento

A palavra “limbo” ficou popularmente conhecida por causa da Igreja Católica. Os católicos diziam que aqueles que não se batizaram e não cometeram nenhum pecado mortal (mais especificamente as crianças que morreram antes do batismo) não entrariam no céu, mas ficariam às portas. O termo que significa “à margem” se refere ao fato de alguém, mesmo tendo a alma salva, não ter acesso à plena presença de Deus.

Assim como a Igreja Católica fez uso desse termo para falar de uma posição incompleta, eu costumo dizer que o mundo criou o termo “namoro” para legar, nos relacionamentos, o mesmo sentido. Biblicamente falando, não existe nenhuma fase no relacionamento entre um homem e uma mulher chamada namoro. As fases apresentadas pelas Escrituras são apenas: noivado e casamento. O que também poderíamos chamar de: escolha (incluindo o período de preparo, onde se desenvolve a toda a ‘paixão’) e consumação.

Com as mudanças drásticas na sociedade, principalmente na década de 50, a família foi a primeira a ser afetada, e o divórcio passou a ser comum. Traumatizados com as quebras nos relacionamentos, os jovens decidiram apelar para a falta de compromisso e o namoro se tornou um status, a fase mais desejável entre os jovens. Foi nessa época que os filmes e as propagandas ficaram cheios de cenas de jovens casais, que não eram casados, mas eram felizes e extremamente apaixonados.

O namoro, fruto dessa fase de “quebra de padrões”, é normalmente uma fase de total ilegalidade, o que vai totalmente contra a personalidade de Deus, que só age de forma legalmente compromissada. É extremamente duvidoso que cristãos sintam-se à vontade enquanto vivam essa fase. O Deus que conhecemos na Bíblia é um Deus exageradamente amoroso e misericordioso, mas, também, extremamente fiel.

Essa é uma característica que se sobressai em todas as suas histórias. Seja com Davi, com Noé, com Abraão, com o povo de Israel e até mesmo conosco, ele é fiel às suas promessas e aos seus compromissos. Lendo o Velho Testamento qualquer um verá que ele é um Deus que ama fazer alianças! Na verdade, se hoje existimos e podemos ser considerados seus filhos é porque ele simplesmente não desistiu de nós, e a sua lealdade para com sua própria palavra foi maior do que nossos mais terríveis pecados.

Hoje, vejo que muitos jovens costumam passar anos namorando e parecem muito felizes com essa fase. Eu, particularmente, posso dizer que o namoro representou, de certa forma, os piores dias da minha vida. Depois que escolhi e fui escolhida pelo Angelo (meu marido), vivi um tempo de tensão máxima, antes do casamento. Eu desejava ser totalmente dele, mas, ao mesmo tempo, isso ainda não podia acontecer. Como alguém pode estar bem tendo a pessoa que mais ama de forma incompleta?

A noiva de Cantares, por exemplo, está desesperada para casar. Ela não está nem um pouco à vontade com essa fase, ela não quer nem um pouco ser “a namorada”. A única coisa que ela fala é sobre o casamento, e o que ela mais deseja é que seu Noivo venha e case com ela (Ct 8.14). Como isso é bonito! O livro de Cantares mostra-nos como o casamento, uma real aliança, é algo desejável. Na Bíblia inteira, a maior propaganda que Deus faz é sobre o casamento. Se você a ler por completo, certamente se convencerá que Deus trabalha por meio de famílias, e famílias só nascem por meio de aliança e o casamento é, natural e espiritualmente, a maior das alianças. Não é a toa que Jesus se diz Noivo de Sua Igreja e usa a figura do casamento.

Já o sistema deste mundo, faz muita propaganda do namoro e do sexo sem compromisso. O casamento hoje é algo indesejável e não faltam piadas sobre o assunto. Nesta briga entre luz e trevas, sinto falta de cristãos que mostrem, com suas decisões, o quanto o casamento é bom. Hoje em dia, temos muita falta de bom testemunho sobre o plano de Deus por meio do casamento.

Em Tito 2.3-5, Paulo recomenda às irmãs mais velhas da igreja que aconselhem as mais novas a amarem seus maridos e filhos. Nesses versículos, Paulo está dizendo que é dever das mulheres mais experientes ensinar às mais novas que o casamento é bom, e ser mãe e dona de casa não é um suplício, e sim um glorioso chamado.

Infelizmente não é isso que vemos nas igrejas. Enquanto as esposas reclamam dos maridos e os maridos não aguentam mais as esposas, os jovens continuam namorando – tranquilamente. Por anos a fio, sem nenhuma ansiedade para casar, sem nenhuma necessidade de ir além (“pelo menos, por enquanto”). O que me deixa preocupada, porque só há dois motivos para estarem calmos. Ou anteciparam parte do casamento, iniciando a vida sexual. Ou lhes falaram tão mal do casamento e testemunharam tão contra o plano de Deus através da família que deixaram todos eles com medo da verdadeira vontade de Deus.

“Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher e serão ambos uma carne.” Gn 2:24
“Seja honrado entre todos o matrimônio e o leito sem mácula...” Hb 13:4
“O reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho;”Mt 22:2

A Soberania de Deus e a Responsabilidade do Homem na Escola do Cônjuge

Por Angelo Bazzo e Carolina Sotero

Muitos cristãos têm o costume de orar, pedindo a Deus para mostrar quem é o seu “predestinado” ou “predestinada”. Por outro lado, outros – à semelhança de não cristãos – nem ao menos conversam com Deus sobre o assunto e fazem suas escolhas baseadas apenas em seus desejos e padrões sexuais.

Essa realidade mostra que, hoje em dia, a maioria das pessoas dentro da Igreja tem sérias dúvidas e confusões na hora de escolher seu cônjuge. E, em quase todos os casos, podemos ver, além de posições exageradas, uma dificuldade de relacionar as doutrinas bíblicas com as decisões da vida.

Existem duas doutrinas que aparecem em toda a Bíblia que todos nós temos dificuldade de conciliar: a responsabilidade do homem e a soberania de Deus. Cada pessoa, geralmente, gosta mais de uma delas e acaba achando que a outra não é tão importante. Nosso maior desafio é manter a tensão dinâmica entre as duas.

No processo de desenvolvimento da nossa salvação, por exemplo, essas duas doutrinas aparecem maravilhosamente juntas. Em uma de suas cartas, Paulo estimula os filipenses dizendo: “…realizai a vossa salvação com temor e tremor; porque é Deus quem produz em vós tanto o querer quanto o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.12,13). Esses versículos nos mostram dois atos de “realizar”: um do homem e o outro de Deus. Ou seja, eu realizo aquilo que Deus está realizando. É literalmente um trabalho de parceria.

O impressionante é que alguns conseguem entender essa doutrina em relação à salvação, mas não conseguem aplicá-la, por exemplo, na hora do casamento. E o erro acontece porque não sabem em que ordem a doutrina deve ser aplicada.

Misticismo Irresponsável
Alguns colocam, na hora de escolher o cônjuge, a soberania de Deus em primeiro lugar e agem de forma extremamente mística. A anulação da “responsabilidade do homem”, nesse caso, faz com que lancem para Deus a escolha do(a) parceiro(a), pedindo que ele exerça sua soberania ao invés de assumir a responsabilidade própria. Inconscientemente, desejamos que Deus fale quem é o escolhido para que assim possamos culpá-lo caso algo dê errado.

Não devemos pedir a Deus para falar coisas que ele nunca disse que falaria. Nunca foi o propósito de Deus nos substituir como agentes morais e tomar decisões em nosso lugar. Seu plano é que sejamos à imagem de seu Filho, o que não significa sermos robôs, mas fazermos escolhas livres e, ao mesmo tempo, escolhas que sejam aquelas que Deus sempre quis.

Podemos ter certeza de que o Espírito Santo que habita em nós sempre nos inspirará a fazer a vontade do Pai. Ao mesmo tempo, precisamos estar atentos à sua voz, o que significa que ele também pode gerar em nós um sinal verde ou vermelho na hora da decisão. O Espírito Santo nunca age como um espírito de adivinhação quanto ao futuro; sua ação é constranger-nos e sensibilizar-nos, comunicando-se, por meio de intuição, com o nosso espírito. Intuição é diferente de adivinhação.

Responsabilidade Rebelde
Outras pessoas fazem o contrário: acertam na ordem, colocando a “responsabilidade do homem” em primeiro lugar, mas infelizmente possuem um coração rebelde e insubmisso. Anulam a “soberania de Deus” em sua mente e fazem escolhas baseadas em uma vida sem relacionamento com Senhor. São o tipo de pessoa que não dialoga com Deus. Muitas vezes, com medo de que ele diga “não”, fecham-se em suas decisões e apenas pedem para ele “abençoar o que elas já estão fazendo”.

Nesse caso, devemos ter consciência de que Deus nos ama e não quer o nosso mal. Podemos conversar com o Senhor sobre nossos sonhos, desejos e vontades. Na verdade, esse é o ponto alto do desejo de Deus: que sejamos seus amigos e companheiros. O medo nunca deve estar presente na hora da escolha de um cônjuge. A melhor decisão só poderá ser tomada quando estivermos seguros nos braços do Pai, porque é só nessa posição que temos suficiente lucidez para decidir sobre qualquer coisa. E lembre: sou eu que escolho o cônjuge que Deus já escolheu para mim, mas só poderei saber quem Deus escolheu depois que eu escolher.

Antes da Escolha
Watchman Nee costumava dizer: “Abra bem os olhos antes de se casar e feche bem os olhos depois!” Isso quer dizer que, antes do casamento, devemos considerar a nossa responsabilidade de escolha, mas que, após a escolha do cônjuge – após o casamento –, devemos descansar na soberania de Deus. Na prática, porém, como essa escolha deve acontecer?

Sendo a decisão do casamento uma responsabilidade humana, nós sempre precisaremos entender os valores fundamentais do Reino e considerá-los na hora da escolha. Em 1 Tessalonicenses 5.23, lemos que o ser humano é constituído de espírito, alma e corpo. O fato de o autor definir uma ordem específica de nossa constituição nos dá uma indicativa dos três aspectos que devem ser considerados e a sua ordem de importância.

Por ser o primeiro a ser citado, o espírito deve ser o fator de maior relevância na escolha. Isso implica considerar, antes de tudo, se a pessoa é regenerada ou não. Casamento entre crente e não crente sempre resulta em muito sofrimento. Em segundo lugar, é preciso considerar a identidade espiritual e o chamado do pretendente. Os chamados sempre precisam ser complementares. A pergunta básica a ser feita é: “eu me sentiria realizado e glorificaria a Deus desenvolvendo minha vida devocional e ministerial com esta pessoa?”

Já a alma, que aparece em segundo lugar, também tem elementos de extrema importância a serem considerados. Personalidade, cultura, gostos e visão de mundo devem ser compatíveis. Embora seja impossível encontrar alguém idêntico nesse sentido, quanto mais semelhante, melhor será a convivência e mais prazerosa a vida a dois. Precisamos lembrar que casamento é para a vida toda. Escolher uma esposa ou um marido também é escolher um amigo(a) e companheiro(a) para todas as horas do resto de sua vida. A pergunta básica, nesse caso, é: “eu conseguiria passar o resto da minha conversando com esta pessoa?”

Por estar em terceiro lugar, o corpo deve ser o último a ser considerado. Mas não significa que deve ser desconsiderado. O mundo hoje impõe um padrão físico específico e chama isso de “beleza”. Mas, para nós, não deve ser assim. Devemos estar livres desse tipo de ditadura e procurar enxergar a beleza (física mesmo!). Nesse momento, a pergunta que devemos fazer é: “a beleza desta pessoa me atrai?”

Depois da escolha
Já no casamento, principalmente nos primeiros anos, é comum os casais passarem por dificuldades. A convivência torna os defeitos maiores, responsabilidades novas aparecem, e tudo isso sempre faz os casais se questionarem se não fizeram uma escolha errada.

Após o casamento, a soberania de Deus deve ocupar a mente da esposa e do marido toda vez que eles se lembram da decisão que tomaram um para o outro. É possível dizer, quando alguém está escolhendo o cônjuge, que a escolha está sendo feita de maneira errada. Mas, após o casamento, não se pode mais dizer o mesmo. Devemos lembrar que Deus sempre esteve agindo nas decisões para levar-nos ao amadurecimento.

O Senhor, de fato, tem poder suficiente para redimir os nossos erros e fracassos. Os problemas do casamento não devem nunca ser encarados como resultantes de uma má escolha, mas como meios da graça pela qual Deus soberanamente nos trata para conformar-nos à imagem de Cristo.


http://www.revistaimpacto.com.br/a-responsabilidade-do-homem-e-a-soberania-de-deus-na-escolha-do-conjuge

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Uma Vida de Jejum pela Volta do Rei

“Mas chegarão os dias em que o noivo lhes será tirado; naqueles dias jejuarão” Lucas 5:35

Não são poucas as pessoas que tem dúvidas ou controvérsias a cerca da prática do jejum. Apesar de ser uma disciplina milenar e de estar em toda a Bíblia, desde o Velho até o Novo Testamento, não é só nela que vemos o jejum. E mesmo tendo sido com os judeus e cristãos que muitos aprenderam a jejuar, sabemos que diversas religiões também praticam a abstinência.

Os monges budistas, por exemplo, jejuam como um método de purificação e de alcance para ioga. Já nas altas castas hindus, severos jejuns são observados como formas de sacrifícios e de ajuda para concentração. Assim como no calendário judeu, os mulçumanos também possuem uma data específica para um jejum coletivo: o Ramadã. No nono mês, eles comemoram o período em que o alcorão foi revelado a Maomé. Mas existem também jejuns históricos, que marcaram a história devido à sua intenção totalmente política, como o de Mahatma Gandhi que jejuou longos dias para fortalecer uma greve e se enfraquecer diante do seu inimigo.

Jejum na Bíblia
Nos casos bíblicos, vemos inúmeras situações que levam o povo ou um indivíduo a jejuar.
O jejum de Ester é um dos mais famosos da bíblia. Muitos já conhecem esta história: uma situação drástica está rondando o povo de Deus em Susã e a rainha Ester, uma judia escondida no reino, convoca os judeus que estão à beira da morte para um jejum coletivo.

Além desta história, as escrituras estão encharcada de outras, como a de Daniel, que depois de receber uma forte revelação de Deus, quase que involuntariamente permanece chorando e de jejum de comida agradável por três semanas. Moisés é outro exemplo, quando o profeta foi receber a lei no monte, passou quarenta dias e quarenta noites “sem comer pão, nem beber água”.

O povo de Israel, na época em que estava para sair da Babilônia e antes de voltar para Jerusalém, realiza um grande jejum convocado por Esdras. O objetivo é se humilhar diante de Deus e pedir uma viagem segura. O que dá certo. Já no Novo Testamento, após ouvir a voz de Jesus e de uma conversão drástica, Paulo passou três dias sem comer e sem enxergar. Outro jejum interessante é o da viúva e profetiza Ana. A bíblia diz que ela passou quase 84 anos viúva, não se afastava do templo e dia e noite cultuava à Deus com jejum e oração.

O motivo do jejum
Mas em resumo, independente de ser cristão ou não, existe um verdadeiro motivo comum à todos: a insatisfação. O jejum só é feito quando há insatisfação. Ninguém que está plenamente satisfeito se preocupa em sentir, propositalmente, a dor da fome e da fraqueza. Então esta é a base do jejum: o incômodo. Em outras palavras, jejuar é se colocar em uma posição fora do normal, uma posição de protesto. Eu estou tão insatisfeito que eu perco a fome ou deixo de comer.

E neste caso, podemos dizer que é o mais alto nível de insatisfação, porque se trata da ausência de comida. Você pode viver sem muitas coisas (sem falar, sem ouvir, até sem andar), mas não sem comer. Então a intenção do jejum é dizer “é isso ou a morte”. E é exatamente o que vemos com a Rainha Ester e o Povo de Israel, eles estavam entre a vida e a morte. Eles estavam totalmente insatisfeitos, para não dizer desesperados e protestaram diante de Deus. Pediram. Se humilharam, arriscaram a vida.

Outros motivos
Existem basicamente dois motivos quando alguém jejua. O primeiro é a insatisfação e protesto – o que falei anteriormente. Mas existe também a necessidade de libertação dos desejos da carne e da alma. E a intenção do jejum, neste caso, é que meu espírito domine minha alma. Então eu me abstenho intencionalmente de algumas práticas e da comida, principalmente, mostrando para minha carne que não é ela que manda. Isso se chama disciplina espiritual. Apesar de muitos não saberem lidar com isso, é algo muito interessante e tem seu lugar na vida cristã. Richard Foster fala que “O jejum sonda para ver onde está o nosso coração. Mais do que qualquer outra disciplina, o jejum revela as coisas que nos controlam”.

O verdadeiro Jejum
De certa forma nós vemos esses dois motivos presentes em todas as religiões. Mas o que difere o jejum cristão de todos os outros jejuns? O que caracteriza o verdadeiro jejum? Como disse, a base o jejum é o incômodo, é a tristeza por algo que está errado. Existem jovens que tem jejuado, por exemplo, contra o aborto. Eles estão certos, há algo errado. Mas o verdadeiro jejum é aquele que sabe que as coisas estão erradas porque Jesus ainda não está aqui.

Deus tem um plano, ele já enviou seu filho para Terra, já fez muitas coisas, inclusive enviar o Espírito Santo. Mas ainda não é o fim. As coisas ainda não estão bem. Apesar de termos um mundo totalmente confortável -com internet wirelless, ar condicionado, carros cada vez mais velozes, e ipods cada vez mais modernos - tudo isso é uma ilusão. O objetivo final de Deus não é nos satisfaçamos com as riquezas deste mundo. O objetivo de Jesus é que nos satisfaçamos com o Reino do Seu Pai. Um verdadeiro estilo de vida de jejum, não é de uma vida cega que jejua por jejuar, mas é como Daniel que reconhecia a Babilônia, enxergava as iguarias e não se contaminava. Daniel não quis achar satisfação na mesa do mundo.

Muitos de nós estamos tão satisfeitos com este mundo e com os falsos confortos que ele nos oferece, que nem ao menos somos capazes de perceber que ainda continuamos famintos por Deus. Indo à igreja, mas famintos por Deus. Se estivermos nos divertindo com os brinquedos do mundo, nunca vamos sentir a falta de Jesus. Jesus espera que seus discípulos e a sua noiva fiquem insatisfeitos com sua ausência. Espera que eles sintam sua falta.

Os Amigos do Noivo Jejuarão
“E disseram-lhe: Os discípulos de João jejuam com freqüência e fazem orações, como também os dos fariseus, mas os teus estão sempre comendo e bebendo. Jesus lhes respondeu: Acaso podeis fazer jejuar os convidados para o casamento enquanto o noivo está com eles? Mas chegarão os dias em que o noivo lhes será tirado; naqueles dias jejuarão” Lucas 5:33 à 35

Existiram dois momentos “quase” na história. Um foi quando Jesus esteve na Terra. Aquele foi um momento incrível! Jesus, o filho de Deus, a expressão do Pai estava com os pés em Terra, estava andando no meio da humanidade. Mas o contraste é que a humanidade não estava preparada para recebê-lo. Muitos o rejeitaram e inclusive, aqueles que andavam com Ele, não entendiam nem o que ele falava. A verdade é que este momento parecia um desperdício: Jesus (a palavra de Deus) andava com um bando de homem tapado, sem visão, que soube pouco como aproveitá-lo.

O segundo momento “quase” é são os dias de hoje. Agora o Espírito Santo foi enviado e a cada dia estamos sendo capacitados para entender, conhecer e estarmos mais semelhantes à Jesus. Agora conseguimos entender o que ele falava, mas Ele não está mais andando entre nós. Agora que podemos ter comunhão com Ele, só podemos fazer isso em oração. Somos como namorados à distância. Quando ele estava em nosso meio não conseguíamos sentir muita coisa, mas agora que ele se foi conseguimos perceber o quanto que sua presença valia para nós.

O desejo do Pai é unir as duas coisas, Jesus fisicamente entre nós e nós preparados para amá-lo como ele merece. Esse é o casamento do cordeiro. O Pai não está satisfeito com os dias de hoje. Muitos cristãos acham que converter, conhecer a cruz e ter os dons do Espírito é tudo, mas para o Senhor este ainda não é o fim. O fim – ou melhor, o começo – da história é quando Jesus estiver fisicamente em nosso meio.

Em Lucas 5: 33 à 35, Jesus está querendo dizer que você não deve rir quando é para chorar e nem chorar quando é para rir. Ele quis dizer “não confunda”, “minha primeira vinda é para prepará-los”. Jesus é o verdadeiro noivo, ele conquista para depois voltar. Não devemos parar na cruz, a cruz é o meio que ele nos conquistou. E a sua conquista gera em nós o desejo pela sua volta.

Tornando-se o amigo que sente Saudades
O jejum fala do básico que é a comida. E Paulo condena aqueles que têm a comida como deuses (Fl 3:19) Aquilo que nos domina é nosso deus. O que tem nos dominado? Jesus veio à Terra para nos libertar do pecado, nos deixar livre para ele. Este é o primeiro passo, conhecer a jornada de Cristo na Terra para nos libertar para Ele. O segundo passo é quando, depois de libertos, somos como uma Noiva apaixonada, como Amigos que sentem tanta saudade, que as coisas do mundo perdem o brilho. Não há como sentir saudades de Jesus, se antes você não estiver apaixonado por Ele e por sua Jornada. Primeiro precisamos ser conquistados pelo Noivo.

Quando Jesus fala para seus discípulos, em Lucas 5:34, ele se coloca como Noivo e nos coloca como Noiva. Uma verdadeira noiva perde a fome por amor. O melhor exemplo na bíblia de uma verdadeira noiva está no fim de Cantares, no capítulo 7, versículo 14. E ela diz “Vem depressa!”. A coisa que mais uma noiva quer é estar com o seu noivo. Jesus não veio à Terra para nos conquistar para o mundo, Ele veio para nos conquistar para Ele. E ele deseja que sintamos a sua falta. Mas Jesus como um noivo fiel também responde à sua noiva. Você quais são as ultimas palavra de Jesus na Bíblia? Está em Apocalipse 20:22, ele diz “Certamente venho logo”.

John Piper, autor do livro, Fome por Deus conta que ele namorava a distância e recebia cartas na hora do almoço. Ele sentia tantas saudades de sua namorada, hoje sua esposa, que perdia a fome e preferia sentar e ler as cartas que recebia dela, do que sentar com os amigos para almoçar. Sua conclusão no livro, também é minha conclusão: o verdadeiro jejum é aquele que sente saudades de Jesus e que está consciente de que as coisas não estão bem porque Ele ainda não está aqui. (Sl 102:4/ 73:25)
“Nós desejamos a volta física de Jesus mais do que desejamos terminar a nossa carreira profissional? Ou concluir os planos familiares? Ou até a nossa próxima refeição?” John Piper

Quando Davi disse e decidiu “Não darei descanso aos meus olhos”, ele estava vivendo estilo de vida de jejum. Ele tinha visão e estava tão apaixonado pela visão, que desconsiderou seu próprio sono. Ele se fez amigo de Deus e como se dissesse: “Se Deus não dorme eu não irei dormir”. Naquela época Deus estava sem lugar para morar e Davi, por ser amigo íntimo de Deus assumiu a sua causa.

Deus quer morar na Terra, mas Ele ainda não está entre nós. Hoje ele está procurando amigos que assumam a sua causa, que sintam saudades do seu Filho e doem a vida pela Sua Volta e o Seu Reino.

O jejum de Cristo
Em Mateus 26:27 à 29, na última ceia de Jesus está escrito:
“E, tomando um cálice, rendeu graças e o deu a eles, dizendo: Bebei dele todos, pois isto é o meu sangue, o sangue da aliança derramado em favor de muitos para o perdão dos pecados. Mas digo-vos que desde agora não mais beberei deste fruto da videira até aquele dia em que beberei o vinho novo convosco, no reino de meu Pai”.

Jesus fez uma promessa. Ele disse que não tomaria mais vinho até “aquele dia”. Jesus também está de jejum. Ele está ansioso, desejoso por beber o novo vinho conosco no Reino do Seu Pai. Depois que morreu e ressuscitou, Jesus ainda apareceu por 40 dias aos discípulos e comeu com eles. Mas não tomou vinho e nem tomará até “aquele dia”. Vinho fala de alegria, e de certa forma, Jesus não está alegre. Ele está ansioso e reservando sua alegria para o dia em que estaremos com ele.

Dana Candler, em uma de suas pregações sobre o “Lamento pelo Noivo” fala sobre como estava o coração dos discípulos, especialmente de João, quando viram Jesus subir aos céus. Eles eram amigos próximos de Jesus, andaram com ele todos os dias durante 3 anos, você acha que eles não choraram com saudades? Apesar do Consolador, é claro que o coração deles doía com saudades daquela pessoa tão atraente. E quantas vezes, depois de anos eles não sentiram a falta de Jesus. Este era o motivo deles falarem e ansiarem tanto pela Sua Vinda: saudade.

sábado, 22 de janeiro de 2011

O que nos ensina as últimas horas de Jesus


Este artigo é um resumo de tudo o que foi dito pelos irmãos (alunos e equipe do CPP) no Retiro de Espiritualidade, que aconteceu nos dias 13 e 14 de Junho de 2009 em Sorocaba. Durante esses dias foi estudado intensamente o Evangelho de João, do capítulo 13 ao 17.

Por este Evangelho ter sido escrito por João, discípulo tão próximo de Jesus, ele deixa escapar inúmeras particularidades e visões daquele que viveu os fatos que marcam nossa vida. Nossa leitura começa com o seguinte versículo: “Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora...” O que estas palavras nos dizem? Vemos neste registro como Jesus sabia e tinha clareza sobre sua missão, sua hora e o momento de cada coisa. Nada podia surpreendê-lo. Seus discursos atestam claramente sua ciência diante do desenrolar do tempo. E é exatamente assim que começa o relato de João sobre Suas últimas horas na Terra: revelando a supremacia de Cristo.

O mesmo Cristo que com nada se surpreende é o Cristo que surpreende. Ao ajoelhar-se para lavar os pés dos seus, assusta Pedro, surpreende seus discípulos. Nos surpreende até hoje. Pedro não quer deixar Jesus lavar seus pés, mas logo depois diz “não lave só os pés, mas também as mãos e a cabeça”. É escancarado o desequilíbrio de Pedro. Mas as palavras quem vem da boca de Jesus é superior e acabam com qualquer instabilidade, suposições e meias verdades: “Quem já se banhou não necessita de lavar senão os pés; quanto ao mais, está todo limpo”. O que ele está querendo dizer? Ninguém lavou os seus próprios pés, mas pelo contrário ele ensinou aos seus que o certo é a lavar os pés uns dos outros. É um chamado para fora do individualismo, um chamado à comunhão, a comunidade, ao corpo.

E também não mandou lavar o corpo inteiro, mas somente os pés, que é uma parte do corpo que sofre tanto desgaste durante o dia. Estes são os membros que mais estão em contato com a terra, portanto, estão mais disponíveis a sujeira. Jesus dá o exemplo: lave o do seu irmão – ou até mesmo do seu traidor – deixei-o lavar os seus pés. Ele, o Mestre e Senhor, foi o primeiro nessa empreitada. E de fato, abre um caminho que antes não poderia ser trilhado. O caminho do perdão, da disposição em servir ao outro e esquecer da própria vida.

Outro fato importante, nessas últimas horas de Jesus, é que João descreve a presença de Judas em boa parte do texto. O fator “traição” parece ser a moldura desse capítulo, porque Jesus também fala que Pedro o negará. E logo depois de ensinar sobre humildade, de falar sobre o traidor, ele ordena: [Judas] o que pretendes fazer, faça-o depressa. O momento da ceia e do lava-pés parece ter expurgado o mal. A comunhão coloca para fora tudo aquilo que não presta para que Cristo seja glorificado. Pelo menos é isso que o autor deixa transparecer quando usa a palavra “quando” no seguinte versículo: “Quando ele [Judas] saiu, disse Jesus: Agora, foi glorificado o Filho do Homem, e Deus glorificado nele.”

Após a saída de Judas, percebemos que se inicia um novo momento de Jesus com seus discípulos. Agora ele fala tudo o que poderia falar com “os seus”. Fala sobre a Casa do Pai, assegura que lá há muitas moradas. Entendemos que este era um momento de angústia para o Senhor, seu lado humano se afligia. Contudo, ministra seus companheiros e declara o desejo que arde em seu coração. Assim como um militar deve se emociona ao ouvir o hino do seu país, confirmando sua missão, Jesus abre seu coração revelando seu desejo: “quero que vocês morem comigo”, “quero que habitem em mim”, “irei habitar em vocês”. Assim como Cristo, todo cristão deve ter como sonho morar com o Pai, estar onde ele estiver.

Percebemos ainda, que nas suas afirmações, Jesus expõe radicalmente a trindade e a presença do Pai e do Espírito Santo nos fatos históricos. Aos nossos olhos faz uma espécie de bagunça, mas na verdade traz uma revelação sem parâmetros humanos. Chega até mesmo a dizer que não nos deixará órfãos, se assumindo como Pai e primogênito ao mesmo tempo. Reitera sobre o novo mandamento de amar uns aos outros. Por ter mostrado, com sua vida, um exemplo de amor exclusivo ao Pai, agora fala sobre amar horizontalmente, abrindo o novo tempo da coletividade. Na medida em que não se importa em entregar seu corpo em sacrifício, mostra cuidado em manter seu corpo – a igreja – na base do amor, declarando incessantemente sobre: amar, guardar a palavra, permanecer nele e aguardar o Espírito Santo.

O cumprimento das Escrituras é há algo que os autores dos evangelhos constantemente ressaltam nos seus escritos. Neste capítulo vemos não só João, mas o próprio Jesus se mostra zeloso em cumprir aquilo que outrora havia sido profetizado. Se Ele cumpriu tudo o que estava escrito no Antigo Testamento, podemos estar hoje seguros que Ele cumprirá todas as coisas que prometeu e estão registradas no Novo Testamento. Isso nos testifica que, não somente nós, mas a trindade está com os olhos sobre as Escrituras.

Os discípulos pareciam não entender muita coisa do que Jesus dizia naquelas horas. Cada vez mais era evidente a necessidade do Espírito para trazer completa revelação. Conosco não é muito diferente. Nos vemos nas Escrituras. Somos tão desequilibrados quanto Pedro (“Não lave só os pés, mas também as mãos e a cabeça”), tão perdidos quanto Tomé (“Não sabemos para onde vais, como saber o caminho?”), tão cegos quanto Felipe (“Senhor mostra-nos o Pai e isso basta”). Mas Jesus nos conhece. Ele sabe que iremos dormir na hora que devemos orar, que iremos negá-lo mais de uma vez. Assim como é natural que o galo cante todo dia, ele sabe que é natural nossas terríveis falhas e isso não o surpreende. Contudo, afirma “não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim”. Nosso Senhor apresenta uma solução: a poderosa fé. Pede para descansarmos, acreditar no Pai, acreditar nele.

Por fim, nosso Cristo ora. Fala com o Pai na frente dos seus discípulos. Descansa no Pai e nos mostra exatamente o que fazer: descansar nele.

Muitas outras coisas foram ditas e percebidas, mas como diria o próprio João, “não há espaço suficiente”. Oramos para que, assim como o Espírito Santo não se contem as poucas letras escritas nos evangelhos, que ele possa falar aos nossos corações muito além dessas palavras e deste final de semana.