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terça-feira, 2 de julho de 2013

Prefiro os fracos!

Nós realmente não conhecemos o evangelho. Ou, pelo menos, não fomos tocados verdadeiramente por ele. E isso fica muito claro para mim quando vejo alguma “bomba explodindo” e como reagimos diante delas.
Essa semana uma “bomba” invadiu meu facebook. Por meio da rede social descobri que um grande amigo meu, pai de família, cristão e que, inclusive, me discipulou em uma fase da minha vida havia caído em pecado.  Sim, foi assustador ver fotos suas com outra mulher. Aquelas imagens, que foram parar de forma inescrupulosa na internet, comprovavam que ele havia traído a esposa – uma grande amiga minha por sinal.

Quando esse tipo de coisa acontece de imediato as pessoas cospem: “era um falso cristão!”. Ou se indagam: “como isso pôde acontecer?”, ou ficam apenas falando: “não acreditarei mais nele!”, “me decepcionou para sempre”. Independente do que passa na cabeça das pessoas, o fato é que elas não sabem lidar com esse tipo de coisa. Ficamos, normalmente, confusos e perdidos. E isso prova que nós, cristãos, ainda não conhecemos o evangelho de Jesus Cristo.
Confesso que no primeiro minuto que descobri o fato fiquei assustada, no segundo minuto muito triste, mas no terceiro pensei: “isso pode acontecer com qualquer um (até com o homem que está sentado ao meu lado: meu marido)”.

O evangelho fala que o homem é mau
O evangelho que está descrito na Bíblia nos diz que Deus enviou seu filho para salvar pecadores que iam para o inferno. As boas novas de Deus para nós foi a demonstração do seu grandioso amor e sua maravilhosa misericórdia que nos salvou. Mas nos salvou de que? Do inferno? Não somente. Ele também nos salvou de nós mesmo! O inferno não era o grande problema. Nós éramos o grande problema! A Bíblia diz que o homem é mau, um pecador miserável que só sabe pecar desde que nasceu. Mas apesar de nos chamarmos “evangélicos” nós ainda não acreditamos nesta verdade que o evangelho fala.

Temos pregado em nossas igrejas (e muitas vezes até muito mau) só a metade do evangelho. O começo das boas novas fala sobre um homem pecador, em trevas, que não pode se salvar e por isso necessita desesperadamente de um Deus soberano e gracioso.  Por não conhecermos essa parte do evangelho ficamos confusos quando cristãos caem em pecado ou até quando nós mesmo caímos em pecado. Ficamos “decepcionados”. Decepcionados com o que? O que, no cristianismo, nos autoriza a ficar decepcionados com homens? Nada. O evangelho nunca foi uma mensagem sobre o homem, sempre foi sobre Deus.

Um falso evangelho gera falsos cristãos
O problema é que temos pregado um evangelho que põe o foco sobre os homens, sobre a capacidade humana. E isso é uma farsa! O homem é um pecador. Todos nós, sem exceção, somos pecadores. É apenas a graça de Deus que nos transforma e nos mantêm. Logo, se todos somos pecadores porque nos assustamos ou julgamos quando um irmão cai em pecado? Porque nós ainda temos expectativas em homens! E porque amamos apontar o cisco no olho do irmão sem perceber a nossa trave!
Cristãos hoje gostam de se assustar com traição familiar e, de fato, isso é pecado. Mas sexo antes do casamento, falar mentiras pequenas ou grandes, falar mal do outro, fofoca e muitas outras que você faz, também são pecados. Devemos lembrar que quando Jesus se encontrou com a mulher pega em adultério, ele não disse que adultério não era pecado. Ele apenas foi contra a acusação dos fariseus. Pecador acusar pecador não vale!

A fraqueza do homem
Irmãos e amigos, o que eu quero dizer é que quando descobrimos que o evangelho é a boa nova para pecadores nós somos curados. Curados do vício de usar máscaras, de nos mostrarmos fortes. Somos libertos da necessidade de nos mostrarmos fortes enquanto somos fracos.

A base do evangelho é a fraqueza do homem. Enquanto o homem não se mostra fraco, Deus jamais pode demonstrar a sua força. Quando eu leio a Bíblia eu fico certa de que Deus ama homens fracos! Noé foi um homem fraco, Moisés foi um homem fraco, Davi foi um homem fraco e, principalmente, Jesus tornou-se um homem fraco. E esse foi o segredo da cruz: a fraqueza de Jesus liberou o poder de Deus. Então me responda: de onde vem esse evangelho que exalta a força do homem e o ensoberbece?

Por que cristãos caem em pecado?
Não é plano de Deus que cristãos traiam suas esposas ou caiam em pecado. De forma alguma.
Mas então por que essas coisas acontecem?
Primeiro: acontece porque nós nos esquecemos do evangelho. Todos os dias devemos ser lembrados do evangelho: eu sou mau, sou pecador, mas Deus me salvou e está me transformado dia após dia. O fato de o homem lembrar-se que é pecador o previne da soberba, de achar que pode vencer tentações sem Deus.

Segundo: estamos muito sozinhos. A Bíblia diz que não devemos abandonar o costume de nos reunir. Isso não quer dizer “freqüentar um templo” ou “um clube social que pode ter o nome de igreja”. Isso quer dizer ter comunhão, ser fortalecido pela força que Deus tem liberado entre os irmãos. É relacionamento real entre irmãos. Isso inclui: comunhão, confissão de pecado, aconselhamento, abrir a vida, alegrar-se junto, crescer junto.  A solidão espiritual nos enfraquece a ponto das tentações do mundo tornam-se mais atrativas para nós do que o próprio Deus.

E depois que aconteceu?
Em relação ao caso do meu amigo devo contar que ele realmente caiu em pecado, mas antes que tudo viesse a tona publicamente pela rede social, ele já havia confessado para a esposa e se arrependido. Em sua declaração ele se disse um homem fraco, apenas forte em Deus.

Tenho estudado a história da igreja e isso me lembrou uma época na história onde muitos homens de Deus caíram em pecado, alguns em relação a dinheiro, outros poder, e outros na área sexual. Mas o fato é que todos esses homens (de Deus, não do Diabo) caíram porque “a soberba precede a queda”.  Isso me faz concluir, mais uma vez, que Deus prefere os fracos. E mais, eu descobri que Deus não está decepcionado com o meu amigo. Meu amigo se arrependeu e tornou-se um homem fraco, um homem exposto diante de Deus e de todos. E por isso o Senhor poderá aplicar a ele a sua promessa de que “o Seu poder se aperfeiçoa na fraqueza”.


Para uma boa maioria esse meu amigo se tornará uma pessoa indigna para sempre, mas para mim ele é símbolo da vontade do Senhor nesses dias. Deus ama o casamento e odeia o divórcio. Deus odeia o pecado, mas ama aqueles que se arrependem. Ele foi alguém que não teve vergonha da sua fraqueza e por isso edifica, hoje, imensamente a minha a fé.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A luta fútil de uma geração

A história de Hinoo Onoda supera as melhores ficções. “Em 10 de março de 1974, quase trinta anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, o tenente Hiroo Onoda finalmente entregou sua espada enferrujada e se tornou o último soldado japonês a se render. Onoda fora enviado para a ilha tropical de Lubang, nas Filipinas, em 1944, com ordens para conduzir uma operação de guerrilha e impedir que as tropas inimigas atacassem aquela ilha.

Quando a guerra terminou, Onoda se recusou a acreditar nas mensagens que anunciavam a rendição dos japoneses. Por 29 anos, muito depois de todos os seus companheiros terem se entregado ou serem mortos, Onoda continuou defendendo aquele território em favor do exército japoneses. Ele se escondeu na selva, vivendo do que a terra produzia, roubando comida e suprimento dos cidadãos locais, evitando uma patrulha após outra e matando pelo menos trinta cidadãos locais durante esse tempo. Os aliados gastaram centenas de milhares de dólares para localizar aquele soldado solitário e convencê-lo de que a guerra havia terminado.

Jogaram na selva panfletos, recortes de jornais, fotografias e cartas de amigos de Onoda. Mandaram recados através de alto-falantes, insistindo que ele se rendesse. Quase treze mil homens foram remanejados nessa operação antes que Onoda recebesse uma ordem pessoal do seu antigo comandante, deixando-se persuadir a desistir da luta fútil e solitária que vinha travando por tantos anos *

Em sua autobiografia, [em português, “Os Trinta Anos de Minha Guerra”] esse obstinado soldado confessa como foi terrível o dia em que, finalmente, acordou para a realidade: “Senti-me como um tolo. O que estivera fazendo todos aqueles anos?”.

Eu gosto da história de Hinoo Onoda por dois motivos: primeiro, porque ela sempre causa espanto e curiosidade. Todos nós ficamos abismados como alguém pôde perder tanto tempo e ser tão tolo quanto à óbvia realidade. Como pôde continuar dando a vida por uma guerra perdida? O segundo motivo é porque, apesar de triste, a trajetória deste soldado de um exército fracassado, é uma parábola de nossa geração.

Posso olhar os jovens hoje, correndo atrás das coisas deste mundo, e ver Hinoo Onoda. Posso olhar a luta cega e obstinada da nossa geração pela liberdade do sexo e do homossexualismo, em favor do prazer ilimitado, a busca pelo status social, a defesa do ateísmo, e ver soldados lutando em vão. Lutando por um exército que embora, em auge, já tem o seu destino traçado: a perdição.

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* trecho retirado do livro "Render-se completamente à Deus", de Nancy De Moss.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Quanto vale uma trufa?

Foi em Julho de 2007 que minha mãe tirou do papel a idéia de fazer trufas. Era só mais uma das milhares de iniciativas para ganhar um dinheirinho extra. Mas não é que a coisa deu certo! No início foi difícil, trabalhar com chocolate requeria alguma experiência na cozinha – o que não tínhamos. Mas só foi preciso uns dois, três meses para alavancarmos com a “Dalurde, trufas e bombons”. O nome é em homenagem a minha avó Maria de Lurdes, ainda viva, sem nenhuma receita secreta e sem habilidades no ramo da doçaria.

A partir dai a lista de sabores foi crescendo e a criatividade aumentando. Começamos nos tradicionais: Morango, Brigadeiro, Coco, Bem Casado, Cereja. Até chegarmos as de nomes estranhos e sabores inusitados: Bicho de Pé, Milho, Caipirinha, Paçoca, Marshmallow, Biscoito, Olho de Sogra, Whisky, Banana. É claro que caiu na boca do povo e assim fomos conquistando clientes e amigos.

A nossa fábrica de chocolate é pequena, só somos três. Uma mãe e duas filhas. Que enquanto recheiam as trufas conversam sobre a novela, riem de velhos acontecidos, brigam por causa do atraso, contam piadas para disfarçar o cansaço. Quantas histórias já compartilhamos na mesa cheia de bombons? Não se pode contar. Enquanto preparamos trufas nossa família se desenvolve, cresce a cada dia. Tudo que fizemos e vendemos, até hoje, foi à base de relacionamento.

Depois que ficamos craques em chocolate, chegamos a dar aulas. Ensinamos às amigas como fazer trufas e como isso seria rentável. Com o dinheiro dessa empresa que deu certo eu pude viajar, aprender a economizar e ajudar nos custos da casa. Compramos um novo microondas, um novo guarda-roupa e aprendemos muita coisa além de temperar chocolate.

Caso alguém queria saber, nossa trufa custa R$ 1,30, mas não há preço que pague tudo o que fizemos e fomos nesses três anos na nossa cozinha!

Escrito em Agosto de 2009

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Quando mudam as Gerações

Falar de tempo não é algo fácil. Muito menos de gente, que dirá gerações. O tempo é aquele enigma que a gente vive tentando entender e morre tentando explicar. É aquele andamento supervisionado das coisas – que parece estar sempre sendo controlado por Alguém – nos restando como única proposta a de acompanhá-lo.

Ah! E esse tal de tempo nos prega cada surpresa. As pessoas bem sabem disso, sofrem com o tempo porque ele sempre traz mudanças. Certamente se esperarmos “um tempo” ele chegará com transformações, e com boas companhias: as dores e os festejos.


E é exatamente nesse rasgo do relógio, quando o dia fala com noite, que as gerações são trocadas. É quando o rosto do trabalhador já cansado, pede uma rede para descansar.

Querendo ver o resto da vida discorrer numa varandinha qualquer, o velho Pai percebe que o filho “até que tem jeito pra coisa”.

Às vezes o orgulho não deixa ver que o menino tem mais do que jeito, tem é disposição, tem vocação, tem energia. Mas o Pai depois de tantas lutas é vencido pela humildade do amor e confessa, com sua saída, que o menino já é o dono desse tempo que vem chegando, se num já chegou.