sábado, 12 de fevereiro de 2011

Uma Vida de Jejum pela Volta do Rei

“Mas chegarão os dias em que o noivo lhes será tirado; naqueles dias jejuarão” Lucas 5:35

Não são poucas as pessoas que tem dúvidas ou controvérsias a cerca da prática do jejum. Apesar de ser uma disciplina milenar e de estar em toda a Bíblia, desde o Velho até o Novo Testamento, não é só nela que vemos o jejum. E mesmo tendo sido com os judeus e cristãos que muitos aprenderam a jejuar, sabemos que diversas religiões também praticam a abstinência.

Os monges budistas, por exemplo, jejuam como um método de purificação e de alcance para ioga. Já nas altas castas hindus, severos jejuns são observados como formas de sacrifícios e de ajuda para concentração. Assim como no calendário judeu, os mulçumanos também possuem uma data específica para um jejum coletivo: o Ramadã. No nono mês, eles comemoram o período em que o alcorão foi revelado a Maomé. Mas existem também jejuns históricos, que marcaram a história devido à sua intenção totalmente política, como o de Mahatma Gandhi que jejuou longos dias para fortalecer uma greve e se enfraquecer diante do seu inimigo.

Jejum na Bíblia
Nos casos bíblicos, vemos inúmeras situações que levam o povo ou um indivíduo a jejuar.
O jejum de Ester é um dos mais famosos da bíblia. Muitos já conhecem esta história: uma situação drástica está rondando o povo de Deus em Susã e a rainha Ester, uma judia escondida no reino, convoca os judeus que estão à beira da morte para um jejum coletivo.

Além desta história, as escrituras estão encharcada de outras, como a de Daniel, que depois de receber uma forte revelação de Deus, quase que involuntariamente permanece chorando e de jejum de comida agradável por três semanas. Moisés é outro exemplo, quando o profeta foi receber a lei no monte, passou quarenta dias e quarenta noites “sem comer pão, nem beber água”.

O povo de Israel, na época em que estava para sair da Babilônia e antes de voltar para Jerusalém, realiza um grande jejum convocado por Esdras. O objetivo é se humilhar diante de Deus e pedir uma viagem segura. O que dá certo. Já no Novo Testamento, após ouvir a voz de Jesus e de uma conversão drástica, Paulo passou três dias sem comer e sem enxergar. Outro jejum interessante é o da viúva e profetiza Ana. A bíblia diz que ela passou quase 84 anos viúva, não se afastava do templo e dia e noite cultuava à Deus com jejum e oração.

O motivo do jejum
Mas em resumo, independente de ser cristão ou não, existe um verdadeiro motivo comum à todos: a insatisfação. O jejum só é feito quando há insatisfação. Ninguém que está plenamente satisfeito se preocupa em sentir, propositalmente, a dor da fome e da fraqueza. Então esta é a base do jejum: o incômodo. Em outras palavras, jejuar é se colocar em uma posição fora do normal, uma posição de protesto. Eu estou tão insatisfeito que eu perco a fome ou deixo de comer.

E neste caso, podemos dizer que é o mais alto nível de insatisfação, porque se trata da ausência de comida. Você pode viver sem muitas coisas (sem falar, sem ouvir, até sem andar), mas não sem comer. Então a intenção do jejum é dizer “é isso ou a morte”. E é exatamente o que vemos com a Rainha Ester e o Povo de Israel, eles estavam entre a vida e a morte. Eles estavam totalmente insatisfeitos, para não dizer desesperados e protestaram diante de Deus. Pediram. Se humilharam, arriscaram a vida.

Outros motivos
Existem basicamente dois motivos quando alguém jejua. O primeiro é a insatisfação e protesto – o que falei anteriormente. Mas existe também a necessidade de libertação dos desejos da carne e da alma. E a intenção do jejum, neste caso, é que meu espírito domine minha alma. Então eu me abstenho intencionalmente de algumas práticas e da comida, principalmente, mostrando para minha carne que não é ela que manda. Isso se chama disciplina espiritual. Apesar de muitos não saberem lidar com isso, é algo muito interessante e tem seu lugar na vida cristã. Richard Foster fala que “O jejum sonda para ver onde está o nosso coração. Mais do que qualquer outra disciplina, o jejum revela as coisas que nos controlam”.

O verdadeiro Jejum
De certa forma nós vemos esses dois motivos presentes em todas as religiões. Mas o que difere o jejum cristão de todos os outros jejuns? O que caracteriza o verdadeiro jejum? Como disse, a base o jejum é o incômodo, é a tristeza por algo que está errado. Existem jovens que tem jejuado, por exemplo, contra o aborto. Eles estão certos, há algo errado. Mas o verdadeiro jejum é aquele que sabe que as coisas estão erradas porque Jesus ainda não está aqui.

Deus tem um plano, ele já enviou seu filho para Terra, já fez muitas coisas, inclusive enviar o Espírito Santo. Mas ainda não é o fim. As coisas ainda não estão bem. Apesar de termos um mundo totalmente confortável -com internet wirelless, ar condicionado, carros cada vez mais velozes, e ipods cada vez mais modernos - tudo isso é uma ilusão. O objetivo final de Deus não é nos satisfaçamos com as riquezas deste mundo. O objetivo de Jesus é que nos satisfaçamos com o Reino do Seu Pai. Um verdadeiro estilo de vida de jejum, não é de uma vida cega que jejua por jejuar, mas é como Daniel que reconhecia a Babilônia, enxergava as iguarias e não se contaminava. Daniel não quis achar satisfação na mesa do mundo.

Muitos de nós estamos tão satisfeitos com este mundo e com os falsos confortos que ele nos oferece, que nem ao menos somos capazes de perceber que ainda continuamos famintos por Deus. Indo à igreja, mas famintos por Deus. Se estivermos nos divertindo com os brinquedos do mundo, nunca vamos sentir a falta de Jesus. Jesus espera que seus discípulos e a sua noiva fiquem insatisfeitos com sua ausência. Espera que eles sintam sua falta.

Os Amigos do Noivo Jejuarão
“E disseram-lhe: Os discípulos de João jejuam com freqüência e fazem orações, como também os dos fariseus, mas os teus estão sempre comendo e bebendo. Jesus lhes respondeu: Acaso podeis fazer jejuar os convidados para o casamento enquanto o noivo está com eles? Mas chegarão os dias em que o noivo lhes será tirado; naqueles dias jejuarão” Lucas 5:33 à 35

Existiram dois momentos “quase” na história. Um foi quando Jesus esteve na Terra. Aquele foi um momento incrível! Jesus, o filho de Deus, a expressão do Pai estava com os pés em Terra, estava andando no meio da humanidade. Mas o contraste é que a humanidade não estava preparada para recebê-lo. Muitos o rejeitaram e inclusive, aqueles que andavam com Ele, não entendiam nem o que ele falava. A verdade é que este momento parecia um desperdício: Jesus (a palavra de Deus) andava com um bando de homem tapado, sem visão, que soube pouco como aproveitá-lo.

O segundo momento “quase” é são os dias de hoje. Agora o Espírito Santo foi enviado e a cada dia estamos sendo capacitados para entender, conhecer e estarmos mais semelhantes à Jesus. Agora conseguimos entender o que ele falava, mas Ele não está mais andando entre nós. Agora que podemos ter comunhão com Ele, só podemos fazer isso em oração. Somos como namorados à distância. Quando ele estava em nosso meio não conseguíamos sentir muita coisa, mas agora que ele se foi conseguimos perceber o quanto que sua presença valia para nós.

O desejo do Pai é unir as duas coisas, Jesus fisicamente entre nós e nós preparados para amá-lo como ele merece. Esse é o casamento do cordeiro. O Pai não está satisfeito com os dias de hoje. Muitos cristãos acham que converter, conhecer a cruz e ter os dons do Espírito é tudo, mas para o Senhor este ainda não é o fim. O fim – ou melhor, o começo – da história é quando Jesus estiver fisicamente em nosso meio.

Em Lucas 5: 33 à 35, Jesus está querendo dizer que você não deve rir quando é para chorar e nem chorar quando é para rir. Ele quis dizer “não confunda”, “minha primeira vinda é para prepará-los”. Jesus é o verdadeiro noivo, ele conquista para depois voltar. Não devemos parar na cruz, a cruz é o meio que ele nos conquistou. E a sua conquista gera em nós o desejo pela sua volta.

Tornando-se o amigo que sente Saudades
O jejum fala do básico que é a comida. E Paulo condena aqueles que têm a comida como deuses (Fl 3:19) Aquilo que nos domina é nosso deus. O que tem nos dominado? Jesus veio à Terra para nos libertar do pecado, nos deixar livre para ele. Este é o primeiro passo, conhecer a jornada de Cristo na Terra para nos libertar para Ele. O segundo passo é quando, depois de libertos, somos como uma Noiva apaixonada, como Amigos que sentem tanta saudade, que as coisas do mundo perdem o brilho. Não há como sentir saudades de Jesus, se antes você não estiver apaixonado por Ele e por sua Jornada. Primeiro precisamos ser conquistados pelo Noivo.

Quando Jesus fala para seus discípulos, em Lucas 5:34, ele se coloca como Noivo e nos coloca como Noiva. Uma verdadeira noiva perde a fome por amor. O melhor exemplo na bíblia de uma verdadeira noiva está no fim de Cantares, no capítulo 7, versículo 14. E ela diz “Vem depressa!”. A coisa que mais uma noiva quer é estar com o seu noivo. Jesus não veio à Terra para nos conquistar para o mundo, Ele veio para nos conquistar para Ele. E ele deseja que sintamos a sua falta. Mas Jesus como um noivo fiel também responde à sua noiva. Você quais são as ultimas palavra de Jesus na Bíblia? Está em Apocalipse 20:22, ele diz “Certamente venho logo”.

John Piper, autor do livro, Fome por Deus conta que ele namorava a distância e recebia cartas na hora do almoço. Ele sentia tantas saudades de sua namorada, hoje sua esposa, que perdia a fome e preferia sentar e ler as cartas que recebia dela, do que sentar com os amigos para almoçar. Sua conclusão no livro, também é minha conclusão: o verdadeiro jejum é aquele que sente saudades de Jesus e que está consciente de que as coisas não estão bem porque Ele ainda não está aqui. (Sl 102:4/ 73:25)
“Nós desejamos a volta física de Jesus mais do que desejamos terminar a nossa carreira profissional? Ou concluir os planos familiares? Ou até a nossa próxima refeição?” John Piper

Quando Davi disse e decidiu “Não darei descanso aos meus olhos”, ele estava vivendo estilo de vida de jejum. Ele tinha visão e estava tão apaixonado pela visão, que desconsiderou seu próprio sono. Ele se fez amigo de Deus e como se dissesse: “Se Deus não dorme eu não irei dormir”. Naquela época Deus estava sem lugar para morar e Davi, por ser amigo íntimo de Deus assumiu a sua causa.

Deus quer morar na Terra, mas Ele ainda não está entre nós. Hoje ele está procurando amigos que assumam a sua causa, que sintam saudades do seu Filho e doem a vida pela Sua Volta e o Seu Reino.

O jejum de Cristo
Em Mateus 26:27 à 29, na última ceia de Jesus está escrito:
“E, tomando um cálice, rendeu graças e o deu a eles, dizendo: Bebei dele todos, pois isto é o meu sangue, o sangue da aliança derramado em favor de muitos para o perdão dos pecados. Mas digo-vos que desde agora não mais beberei deste fruto da videira até aquele dia em que beberei o vinho novo convosco, no reino de meu Pai”.

Jesus fez uma promessa. Ele disse que não tomaria mais vinho até “aquele dia”. Jesus também está de jejum. Ele está ansioso, desejoso por beber o novo vinho conosco no Reino do Seu Pai. Depois que morreu e ressuscitou, Jesus ainda apareceu por 40 dias aos discípulos e comeu com eles. Mas não tomou vinho e nem tomará até “aquele dia”. Vinho fala de alegria, e de certa forma, Jesus não está alegre. Ele está ansioso e reservando sua alegria para o dia em que estaremos com ele.

Dana Candler, em uma de suas pregações sobre o “Lamento pelo Noivo” fala sobre como estava o coração dos discípulos, especialmente de João, quando viram Jesus subir aos céus. Eles eram amigos próximos de Jesus, andaram com ele todos os dias durante 3 anos, você acha que eles não choraram com saudades? Apesar do Consolador, é claro que o coração deles doía com saudades daquela pessoa tão atraente. E quantas vezes, depois de anos eles não sentiram a falta de Jesus. Este era o motivo deles falarem e ansiarem tanto pela Sua Vinda: saudade.

2 comentários:

Luciano disse...

Olá Carol, como vai? Sou da comunidade de São Gonçalo, congrego com Michael, Maira, Dani... Achei seu blog pelo facebook. Já te add lá. E também estou te seguindo aqui pelo blogger. Siga o meu também. É ótimo encontrar pessoas que gostam de escrever sobre o Reino e a vida - e também com poesia. Um grande abraço p vc!

Carolina Sotero disse...

Oi Luciano, lembro de vc sim. Valeu, vou te seguir tbm. Abração!

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